Expectativas de mercado para inflação aumentaram, mostra BC

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Expectativas de mercado para inflação aumentaram, mostra BC (Foto: Divulgação) Expectativas de mercado para inflação aumentaram, mostra BC

Os efeitos da pandemia da Covid-19 implicaram mudanças relevantes de preços relativos, repercutindo câmbio, commodities e os efeitos heterogêneos da pandemia sobre oferta e demanda de diversos bens e serviços, segundo dados do relatório de inflação do Banco Central (BC). No trimestre encerrado em agosto destaca-se a alta dos preços das commodities, a recuperação parcial da economia brasileira e o comportamento volátil do câmbio.

Nesse contexto, as mudanças de preços relativos aprofundaram a diferença entre a inflação no nível do produtor, em patamar ainda mais alto que no trimestre anterior, e a medida no nível do consumidor, que voltou para patamar positivo, mas relativamente baixo. Em parte, o fenômeno reflete a composição dos índices e os impactos diferenciados que os fatores destacados acima têm sobre cada indicador.

De acordo com o BC, as expectativas de mercado para inflação para os anos de 2020 e 2021 aumentaram, refletindo em parte a recuperação no preço das commodities e projeções de valores mais elevados para o câmbio. Contudo, para o ano corrente, as projeções para a inflação continuam abaixo do limite inferior do intervalo de tolerância; para o próximo, situam-se na parte inferior desse intervalo.

Preços

No trimestre encerrado em agosto, os preços das commodities mantiveram trajetória de recuperação. Medido em dólares, o Índice de Commodities – Brasil (IC-Br) avançou 14,93%, com altas nos três segmentos (agropecuárias, metálicas e energéticas) sem, contudo, recuperar o patamar observado no final de 2019.13 Medido em reais, o IC-Br mostrou elevação no trimestre (11,45%) e situa-se 22,28% acima do observado em dezembro de 2019, repercutindo a depreciação do real.

A depreciação do real no ano e a recente recuperação do preço das commodities vêm repercutindo intensamente sobre os preços ao produtor. O Índice de Preços ao Produtor Amplo – Disponibilidade Interna (IPA-DI) apresentou alta de 11,16% nos três meses encerrados em agosto, após alta de 4,25% no trimestre anterior. A pressão é disseminada, abarcando diversos preços agropecuários e industriais. As altas mais relevantes ocorrem em estágios iniciais de processamento (matérias primas brutas e bens intermediários). Nos doze meses encerrados em agosto o IPA-DI acumula alta de 21,58%. 

Os preços ao consumidor, medidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apresentaram variação de 0,86% no trimestre encerrado em agosto (-0,62% no trimestre encerrado em maio). Nos doze meses encerrados em agosto o IPCA acumula alta de 2,44%. A reversão do movimento de queda dos preços no trimestre repercute o comportamento dos preços administrados (2,93%, ante -3,26%) e industriais (0,80%, ante -0,79%). 

Nos preços administrados, observou-se recuperação dos preços dos combustíveis e reajustes dos preços de energia elétrica e de medicamentos, que haviam sido postergados no início da pandemia. Nos preços industriais, destacam-se as elevações em alguns bens duráveis, em particular nos mais sensíveis ao câmbio, e no etanol. 

Os preços dos alimentos subiram no trimestre encerrado em agosto (1,75%), mas em ritmo inferior ao observado no trimestre anterior (4,01%), sob os efeitos iniciais da pandemia. Esse arrefecimento está associado, em parte, ao movimento sazonal dos produtos in natura. Em sentido contrário, destaca-se a pressão recente sobre o preço de carnes. Os preços de serviços recuaram mais uma vez no trimestre encerrado em agosto (-0,84%, ante -0,34% no trimestre anterior), em linha com o impacto da pandemia de forma mais intensa em diversas atividades do setor. Destaca-se, em particular, a apropriação, na leitura do IPCA de agosto, dos descontos nas mensalidades escolares14 e a queda dos preços de passagem aérea e empregado doméstico. A inflação subjacente de serviços no trimestre foi 0,20% (ante 0,22%), com destaque para as reduções dos preços de recreação e seguro de automóvel.

Índice de difusão e núcleos 

O índice de difusão, que mensura a proporção dos componentes do IPCA com variação de preços positiva, registrou média de 58,56% no trimestre encerrado em agosto, ante de 50,95% no trimestre encerrado em maio, na série livre de influências sazonais. 

A média do novo conjunto de núcleos de inflação acompanhados pelo BCB avançou, após valores historicamente baixos, partindo de 0,49% em maio para 1,53% em agosto, sob a métrica anualizada da variação dessazonalizada trimestral. Todos os núcleos registraram maior variação. Considerados períodos de doze meses, a média dos núcleos de inflação situase em 1,97%, abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária.

Expectativas de mercado

De acordo com a Pesquisa Focus, a mediana das projeções para a variação anual do IPCA em 2020 aumentou: de 1,60% em 12 de junho para 1,94% em 11 de setembro de 2020. A mediana das projeções para 2021 manteve-se quase estável, passando de 3,00% para 3,01%. Para 2022 manteve-se em 3,50% e para 2023 passou de 3,50% para 3,25%, em linha com as metas de inflação para os respectivos anos.15 Para a inflação doze meses à frente, suavizada, a mediana das previsões passou de 3,25% para 3,14%. 

As medianas das expectativas para o aumento dos preços administrados ou monitorados por contratos em 2020 e 2021 atingiram, respectivamente, 0,90% e 3,84% em 11 de setembro de 2020 (1,00% e 3,78% em 12 de junho). A mediana das projeções manteve-se em 3,50% para 2022 e 2023.

(Redação – Investimentos e Notícias)